terça-feira, 4 de agosto de 2020

A reciprocidade nas relações

Reciprocidade assimétrica: um obstáculo nas relações humanas
Imagem: Reprodução


Muitas vezes, quando fazemos algo pelas pessoas e não somos reconhecidos ficamos tão injuriados, que só pensamos naquela atitude como um ato de ingratidão. Nossas gentilezas e favores, por mais simples que sejam, parecem que esperam um reconhecimento, um agradecimento.

Mas na verdade isso tem um nome, o que esperamos das pessoas é algo chamado de reciprocidade. Nós gostamos de receber algo em troca daquilo que fazemos, é normal, é humano. Sei que você vai pensar que não é assim para todo mundo. Concordo, e acho bacana quando vejo que alguém faz o bem sem realmente esperar nada daquilo. Mas não condeno quem o faz e espera nem que seja um obrigado.

Várias atitudes da nossa vida cotidiana exigem essa reciprocidade. A gente acena para alguém esperando que ela retorne o aceno, a gente sorri esperando um sorriso, a gente ama esperando ser amado. Reciprocidade é isso, ações simples que demonstram que estamos na mesma ‘vibe’, que queremos corresponder àquilo que nos foi dado, é característica essencial das relações.

Eu sei o quanto é difícil gostar de alguém e não receber o mesmo sentimento de volta, é frustrante, chega a doer. Mas também sei o quanto é bom quando você demonstra um sentimento e percebe que aquilo é recíproco. Nos faz bem, nos traz alegria.

Assim é a reciprocidade, algo benéfico, que cria entre as pessoas uma conexão, fazendo com que as relações sejam guiadas pela bondade, pelo respeito e pelo desejo de estar cada dia em mais sintonia.

Porém, tenha cuidado com uma coisa: Reciprocidade não é igualdade. Igualdade é quando temos a mesma medida, as mesmas obrigações e a mesma intensidade de sentimentos. E a reciprocidade está longe da obrigação em algo. Se alguém lhe dá um presente grandioso não significa dizer que você também terá que fazer algo genuíno, e não o fazer não quer dizer que você não seja grato, ou que não conseguirá ser recíproco. A reciprocidade está na qualidade dos sentimentos demonstrados, muito mais do que na quantidade daquilo que você doa.

Ou seja, a reciprocidade está na medida em que conseguimos identificar que ali há cuidado, carinho, atenção, e assim, somos instigados, a de maneira recíproca, devolver esse bem com comportamentos que façam o outro feliz, sem que nos preocupemos com a quantidade de gestos que fazemos, e sim com a qualidade dos sentimentos que ofertamos.

terça-feira, 28 de julho de 2020

Não espere a vida passar enquanto encara a tela do celular

Era ele ou eu” – Aspas e Vírgulas
Imagem: Reprodução

O que vem acontecendo em nossas vidas nesses últimos meses não é mais novidade. Estamos enfrentando uma pandemia que nem sabemos as proporções que ainda vai atingir. Cada dia é uma luta, uma tensão, e muitas dúvidas. Certamente aquele ano de 2019 que muitos reclamaram deve observar esse de 2020 e dizer: ‘Olhae, eu disse que ainda poderia piorar’.

Bem, não venho tratar de uma visão pessimista das coisas. Longe de mim. Muito pelo contrário, venho propor uma coisa. Pare um pouco (tudo bem, eu sei que é isso que você tem feito praticamente durante todo esses últimos meses), mas responde aí a seguinte pergunta: Você já parou para pensar em como você explicará o ano de 2020?

Para muitos, a resposta será algo como: ‘Foi o ano em que vivi da sala para o quarto, do sofá para a cama, vendo todas as séries, reprises e me debruçando em meu celular. Nunca fui tão sociável’. Para outros, estamos sendo peças de uma história que em nada somos os protagonistas. Porém, a forma como a estamos enfrentando é que irá documentar tudo isso para o resto de nossas vidas.

Dias desses li a seguinte postagem no Twitter: “Eu não aguento mais não aguentar mais, e mesmo assim continuar aguentando sem previsão de deixar de aguentar mais”(@rauqmp3). Confuso? Talvez! Mas é justamente assim que temos nos sentido nesses meses. E tem dias que nos sentimos ainda mais exaustos.

Quantos já me disseram que não aguentam mais ver séries, ler livros, participar de reuniões por vídeo conferência? Muitos!!! Quantos estão enfrentando o desejo frenético de furar a quarentena e socializar de verdade? Outros tantos. Porém, muitas outras pessoas aproveitaram esse momento para se reinventar, buscar novos sonhos, ou voltar a pensar naqueles que já existiam. Algumas pessoas buscaram o autoconhecimento, se dedicaram a novos projetos, descobriram novas habilidades, deram mais atenção aos familiares e amigos, e há quem até tenha reconhecido em alguém um amor. Eu sei, a vida parece que deu uma pausa, mas você não precisa enfrentar esse momento apenas encarando a tela do seu celular.

Esse tempo não deve ser enfrentado com desesperança. O futuro ainda está sendo construído com o que estamos fazendo agora, nesse momento presente. Essa pausa que parecemos enfrentar não será inútil. Nossos hábitos mudaram, talvez permanentemente. Talvez tenhamos que enfrentar o que chamamos de um novo normal, e provavelmente não voltaremos aquilo que considerávamos habitual.

É preciso que encaremos tudo de frente, este ano não está perdido, e cada minuto de tudo que estamos vivendo servirá para a formação de quem seremos lá na frente. Por isso, lembre-se, somos resilientes, nos adaptamos, e somos capazes de superar mais esse momento difícil. As coisas existem ao nosso redor da forma como conhecemos por causa da maneira que a enfrentamos e interpretamos. Então, a escolha é sua, você vai querer passar pela vida encarando-a de forma pessimista, vai deixar que ela simplesmente passe por você, ou vai decidir tomar as rédeas se autorremodelando para se encaixar melhor com as peças que elas nos dá?

terça-feira, 21 de julho de 2020

A vida não é feita de fórmulas

Método de completar quadrados - Mundo Educação
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Muitas vezes, quando alguém vem nos contar algo, já pensamos em mil e uma soluções. Afinal de contas quando o problema é do outro, resolver é algo muito fácil. Basta que alguém diga: “o que você acha que devo fazer?”, que você já vem com uma gama de receitas prontinhas, e ainda diz: “Amiga, vá por mim”, como se a vida fosse assim, organizada e resolvida a partir de fórmulas prontas.

Porém, a nossa vida é uma sequência de situações, encontros e desencontros com pessoas e com o mundo. Sendo assim, essa mesma vida não nos deixa transformá-la em fórmulas de forma alguma. É querer simplificar demais algo tão intenso e tão cheio de caminhos.

Além do mais, cada pessoa tem sua própria forma de buscar os seus desafios, encará-los e resolvê-los. Quantas vezes demos conselhos e a pessoa foi lá e fez justamente o oposto? Isso porque cada pessoa tem sua individualidade, tem sua forma de encarar e simplesmente, resolver a sua própria vida. Mas nós insistimos em ter fórmulas prontas para curar, ajudar e solucionar a vida dos outros. Porém, em muitas situações não somos capazes de responder uma questão que a própria vida faz para nós.

Não estou aqui para dizer que você não pode dar conselhos. Afinal de contas é tão bom sabermos que alguém confia em nós, e é melhor ainda quando sabemos que de alguma forma ajudamos alguém. Porém, ao fazer isso, não coloque suas experiências e a forma como você as encarou como a melhor maneira da outra pessoa encarar suas próprias dificuldades.

Lembro-me das várias coisas que fiz achando que estavam certas e deram errado. Das tantas outras que fiz achando que dariam errado e deram super certo. Lembro-me também de encarar as coisas com leveza e elas virem como um turbilhão em minha vida. E outras que achei que viriam com tudo, e simplesmente passaram e quase nem senti. Ou seja, a vida não tem receitas, ela vem com suas histórias e caminhos, erros e acertos, sem fórmulas, ou procedimentos rígidos a serem seguidos. Ela só nos exige uma coisa: viver. E para vivermos é preciso encararmos as situações à nossa maneira, absorvendo o que as pessoas nos falam, filtrando sempre as nossas atitudes e pensamentos, e assim, criando nossas próprias soluções. Mas lembrando sempre que em algum momento pode dar errado, e isso é normal, é aprendizado. A vida não tem estratégia correta a ser seguida, ela só quer que a gente faça coisas, e o resultado? Só o tempo nos mostrará. E como já dizia a grande 'filósofa' Dory: “Continue a nadar...”.