segunda-feira, 6 de julho de 2020

Nós somos feitos de amor

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Imagem: Reprodução

Amor, sentimento nobre, que remete a um grande afeto por alguém que se deseja ter ao lado. Mas a gente ama muita coisa nessa vida, não só pessoas. Há quem ame seu cachorro, seu carro, sua casa, seu emprego, o mundo, seus planos. Afinal de contas, amor é sentimento que aquece a alma e nos faz ser resistentes.

Acredito que, diante do mundo em que vivemos, cada dia necessitamos ainda mais desse sentimento, e desejamos recebê-lo de alguém. Gostamos de nos sentir amados e de doar esse amor ao outro.

O interessante disso tudo é imaginar que o amor está atrelado a algo que traz a você boas sensações, coisa essa que você não quer perder, pois pensa que, se isso ocorrer, esse amor irá embora.

Porém, eu tenho uma teoria. Nós já somos feitos de amor, e para o amor. Sendo assim, se já apresentamos em nós esse sentimento, cada pessoa ou algo que cruza nosso caminho, só nos acrescenta mais amor. Ou seja, amor é algo que se soma.

Dessa forma, mesmo quando algum relacionamento acaba, e esse alguém vai embora, não significa dizer que o amor se foi também. Lembre-se, o amor é algo que se soma.

Cada história que vivemos, cada pessoa que cruza os nossos caminhos vão nos preenchendo, como se fôssemos uma espécie de lego, e essas pessoas fossem nos montando, adicionando mais amor, somando. E como num lego, cada peça que se perde faz falta, ou seja, ela precisa ficar ali, ocupando seu espaço. O amor não precisa ir embora, ele tem que continuar a nos preencher.

Assim somos nós com relação ao amor. Cada pessoa que surge em nossas vidas, por mais que ela se vá, deixa parte dessa peça de amor. Ou seja, o amor que em nós foi depositado não vai embora. Ele fica ali guardado montando aquilo que somos. Nós apenas escolhemos o que iremos fazer dele. Se faremos ele apenas compor a nossa completude, ou se o transformaremos em outro amor. Porque amor é isso, é soma, é simplesmente um sentimento que foi feito para crescer.

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Empatia, a gente se vê por aqui?

Imagem: Getty Images/iStockphoto

Empatia. Nos últimos meses tenho pensado muito no significado e ação por trás dessa palavra. Principalmente em uma sociedade como a nossa que a cada dia mais transpira egocentrismo. Basta você acompanhar um pouco das mídias sociais para perceber o quanto isso vem se perdendo. Não sei se você já parou para realizar essa simples prática: Abra uma postagem com um cunho um pouco polêmico e perceba a chuva de comentários maldosos e de julgamentos, vindos dos 'arautos' da sabedoria e da boa índole. 

Outra forma de perceber bem isso é quando você vai contar algo que está lhe deixando mal, e a outra pessoa não espera que você desabafe, pois acha que a história pessoal dela é ainda mais complicada que a sua, e ai minimiza suas dores e conflitos.

Estamos cercados de pessoas que não conseguem ouvir nossas histórias, que simplesmente preferem falar de si, que não conseguem lidar com o pesar do outro, ou que talvez nem se importem. Ter empatia é algo tão simples e acessível, não exige grandes atitudes, basta você conseguir se colocar no lugar do outro. Você já fez essa experiência? Não durante toda a sua vida, mas hoje, você já fez isso por alguém?

A impressão que tenho é que para muitos dá muito trabalho se colocar no lugar do outro, e assim atuar como uma verdadeira rede de apoio. Ahh... mas eu me identifico com as pessoas, com suas situações. Desculpe informar, mas se identificar com o outro é bem diferente de ser empático. Quando você se identifica, você sente a dor do outro por se imaginar naquela mesma situação. Porém, quando você tem empatia, você se coloca no lugar dela, e sente o que aquela pessoa está passando e sentindo, numa perspectiva dela e não na sua. 

Outra questão importante é a de fazermos esse bem sem esperar nada em troca. Simplesmente fazer com que o dia da outra pessoa tenha um pouco mais de cor já faz de você mais feliz. Ou seja, não faça algo esperando um obrigado. E nem julgue essa pessoa de ingrata se ela não o fizer. Não estamos falando de massagear egos e sim de acalentar corações.


Estamos vivendo momentos difíceis, o mundo não é mais o mesmo, as relações também não são mais as mesmas. E nesses momentos, várias pessoas estão enfraquecidas na fé, alimentando sentimentos de impotência diante da vida e das tristezas. É por isso, que a cada dia mais precisamos desse serviço de utilidade pública: empatia. Para que percebamos que não estamos sozinhos, e que apesar da caminhada muitas vezes ser dura, ela é necessária, e chegaremos firmes ao final.

Não tenha medo de mostrar suas feridas, de confessar seus medos e fraquezas. Isso também é mostrar ao outro que ele não é o único a passar por situações difíceis, e que é justamente por isso que você é capaz de compreendê-lo. Lembrando que ter empatia não é disputar o tamanho dos problemas, e nem provocar a felicidade no outro. É ter humanidade, é mostrar que os fardos não precisam ser carregados sozinhos.

Dessa forma, acho que posso afirmar que ter empatia é ter um coração aberto para preencher de amor a vida do outro. É ter sensibilidade, ser atento, é ser capaz de compreender que a mesma situação pode ser encarada de formas distintas. É acima de tudo se oferecer para dividir o peso de algo que alguém já não suporta mais carregar sozinho.