quarta-feira, 22 de junho de 2016

Uma ficção cheia de realidades


  Olá Pessoas, hoje trago para vocês mais uma coluna do meu blog: OPINEI. Aqui falarei sobre minhas visões sobre textos, livros, filmes, músicas e artigos. Para iniciar falarei dessa obra da Jojo Moyes - Como eu era antes de você
Já começo dando uma dica, não veja o filme (que já está nos cinemas) antes de ler o livro. Falo sobre o filme um pouco mais na frente.

O Livro




  Como eu era antes de você é uma obra que traz uma reflexão sobre a vida e a morte. O livro trata da história de Louisa Clark, jovem de 26 anos que não apresenta nenhuma grande ambição. Ela vive com os pais, a irmã, um sobrinho e um avô, que precisa de cuidados, em uma pequena casa. Namora há sete anos um jovem atleta chamado Patrick, e ao perder o emprego de garçonete em uma cafeteria se depara com a necessidade de buscar um novo emprego. É aí que a história realmente começa, quando ela se vê, mesmo sem qualificação alguma, tendo que cuidar de um tetraplégico, rico, inteligente e mal humorado, o Will Traynor.
  No início, o leitor se depara com um sentimento de que lerá uma história de amor, cheia de seus sentimentalismos, dramas e “momentos cor de rosa”. Porém, no desenrolar da história percebe que ficará diante da discussão de temas pertinentes e de uma reflexão sobre até onde pode se lutar por uma vida que não se considera mais como a sua, e até que ponto alguém pode interferir na decisão do outro, mesmo que ela seja a de tirar a própria vida.
  O livro se propõe, mesmo que em alguns momentos sem intenção, que o leitor se insira na história de uma forma que ele seja capaz de entender a vontade de Will Traynor de tirar a sua vida.  O Will, um homem que sempre viveu a vida de forma intensa, se vê totalmente dependente dos outros, o que o deixa triste e que o leva a tomar uma importante decisão, ir à clínica de eutanásia Dignitas, na Suiça. Talvez esse seja o tema mais forte do livro: O direito de tirar a própria vida. Em vários países essa prática é completamente ilegal, porém a discussão vai muito além da interferência de um dom divino, mas sobre como é a vida de um deficiente físico.
  O relato do livro sobre a vida de Will serve de reflexão sobre as diversas situações enfrentadas por milhares de tetraplégicos espalhados pelo mundo, como falta de estrutura, a fragilidade na saúde, o preconceito, os problemas físicos e emocionais. Ler o livro nos leva a aprender a direcionar o olhar para essas pessoas, dependentes e tão a margem de uma sociedade preparada para o movimento.
  Outra questão do livro está na forma como Lou encara o mundo, sem perspectivas, planos e ambições. Quantos jovens também vivem dessa forma mesmo sabendo que a sociedade tanto os exigem? Quantos jovens vivem apenas na comodidade pela simples falta de motivação? Lou também reflete uma realidade de muitas mulheres que se prendem a relacionamentos sem sentido apenas pela comodidade, se anulando, e vivendo a vida do outro.
  O leitor poderá ficar surpreso também com a presença de um tema bastante delicado, a violência contra a mulher. A personagem Louisa relata no livro a sua história de violência sofrida quando tinha dezenove anos. Tal fato, assim como vemos na realidade, marcou a vida de Lou, e a fez viver diversas situações constrangedoras. Porém, o personagem de Will, mesmo que de forma contrária ao que ele faz com sua vida, orienta Lou a não fazer com que tal acontecimento molde a forma como ela encara a vida.
  Jojo Moyes conseguiu transformar uma suposta comédia romântica em um livro repleto de discussões atuais. Ela mostra, sem máscaras românticas, a situação dos deficientes, e coloca em xeque até que ponto vale a vida quando não se acha que ela é a sua. A estratégia de iniciar o livro com um prólogo da vida de Will Traynor dá um ideia de como era a sua vivência, e o quanto a sua situação após o acidente merece ser entendida. Enfim, a obra deixa uma lição da capacidade que a generosidade tem na vida das pessoas.

O Filme

  O destaque para a versão cinematográfica da obra é a forma como as cenas procuraram refletir o que está no livro, e isso se deve pela presença da própria autora (Jojo Moyes) como roteirista do filme. Claro que muitos detalhes foram esquecidos, pontos chaves que explicam certos comportamentos dos personagens, mas isso já é normal em filmes que são baseados em livros. Por isso que disse, leia o livro antes de ir ao cinema.
  Não há nada de tão surpreendente na forma como a trama é conduzida pela diretora Thea Sharrock, na verdade ao assistir você percebe que as coisas estão apenas tentando se encaixar. Há uma certa correria nos acontecimentos, para que nos 110 minutos de filme tudo possa acontecer. O que dá uma certa frustração, já que muitos pontos que nos fazem entender os personagens são cortados. 
  O visual do filme é encantador, as locações são cenários perfeitos para o objetivo de cada cena e a trilha sonora também está de acordo com o sentimento que as cenas querem passar, na verdade ela consegue dar uma emoção a mais na cena,
  Temos a Emília Clarke no papel da Lou e o Sam Claflin como Will. Aqui merece uma observação sobre a atuação da Emília, que transformou a Louise em um personagem extremamente caricato, com todo um exagero de expressões, que causa até uma certa dúvida se aquilo tudo é realmente necessário. Já o Sam Claflin desempenhou muito bem o papel do rico, bonitão e amargo Will Traynor. Outra dica, não veja o filme dublado, a dublagem brasileira está simplesmente irritante, pois transformou a Lou em uma personagem boba demais. Um ponto interessante é que o filme trouxe um ar mais cômico do que o livro supõe. Talvez uma estratégia de leveza ao que se discute na história.
  
 Enfim, pode-se dizer que o filme é uma boa distração, sem grandes emoções, mas que alcança o seu objetivo de passar a mensagem de que certas coisas fogem da nossa vontade, de que é preciso aceitar as diferenças, e de que é preciso "Apenas viver bem", por isso, "Apenas viva!"

Título original: Me before you
Direção: Thea Sharrock
Roteiro: JoJo Moyes
Duração: 110 min
Gêneros: Romance, Drama
Elenco: Emilia Clarcke, Sam Claflin, Janet Mc Teer, Matthew Lewis, Jenna Coleman, Charles Dance, Steve Peacocke...
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