segunda-feira, 10 de abril de 2017

Vamos falar de Mirella


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Na semana passada me vi, mais uma vez, chocada com uma notícia de um assassinato. Você, que agora está lendo esse texto pode pensar: Mas a violência anda tão grande, e notícias assim são tão constantes, que quase que estamos habituados a recebê-las. Sinto muito, mas jamais atingirei esse pensamento. E não foi uma morte qualquer. Foi mais uma mulher que teve sua vida interrompida, foi mais uma vítima do feminicídio. Se não está gostando do rumo desse texto pare por aqui. Espere algo que considere melhor e mais agradável de ser lido. Porque hoje falarei sim em favor das mulheres, e não silenciarei diante de tanta atrocidade.
Mirella, esse era o nome da jovem fisoterapeuta, de 28 anos, vítima de um capricho masculino: o prazer de achar que pode ter quem quiser. Muitos acharão que estou generalizando, mas é que uma hora cansa né, de ver o mesmo cenário se repetindo tantas vezes. Foi um ato covarde, violento e repugnante. A violência contra a mulher em muitos casos foi banalizada, dentro dessa sociedade repleta de ranços e costumes patriarcais, que o diga o tal do José Mayer, que acha que ter crescido numa cultura machista é desculpa para sair metendo a mão na genitália de alguém. E um tal de um BBB que só sabe se impor colocando o dedo no rosto dos outros e aos gritos. E o pior de tudo, é que sempre nos querem impor goela abaixo a culpa por tudo isso. Se a mulher apanha do marido, é porque gosta de sofrer. Se ela foi estuprada, é porque estava vestindo um decote grande demais.
Pergunto-me o que a Mirella fez então. Ah, acho que o “erro” dela foi ter nascido bonita ao ponto de despertar desejos no vizinho. Ei meu povo, vamos acordar. Quer você aceite ou não, o corpo e a beleza sempre serão da mulher, e não de quem ache que pode ter domínio sobre ela. Não será do pai que controla as saídas da filha, não será do marido que regula o comprimento da saia da esposa, não será da mídia que dita o padrão de beleza. É dela e ponto. E por ser dela, é óbvio que ela também decide com quem irá se relacionar, seja ele um vizinho, um amigo ou um carinha que acabou de conhecer na balada.
No Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. E muitas delas que vivem o horror disso, silenciam por medo de uma sociedade preconceituosa. Tantas outras vivem em um relacionamento doentio, que acha que por não apanhar dá para aguentar. Mulheres, a violência não está somente na bofetada. Está também nas palavras duras que se ouve, está na imposição de uma postura, está em você se anular pelo outro. É preciso dar um basta nos milhares de casos envolvendo tantas "Mirellas".
Encerro lembrando alguns pontos a quem chegou até o fim desse texto. Não é normal ser um babaca taradão que acha que pode passar a mão na bunda e ir beijando a força. Não é interessante o cara que acha que pode ter quem ele quiser e por isso não aceita levar um não. Lembrem-se sempre, para cada pessoa uma história, e você só fará parte da vida dela, se ELA QUISER.



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