segunda-feira, 29 de junho de 2020

Empatia, a gente se vê por aqui?

Imagem: Getty Images/iStockphoto

Empatia. Nos últimos meses tenho pensado muito no significado e ação por trás dessa palavra. Principalmente em uma sociedade como a nossa que a cada dia mais transpira egocentrismo. Basta você acompanhar um pouco das mídias sociais para perceber o quanto isso vem se perdendo. Não sei se você já parou para realizar essa simples prática: Abra uma postagem com um cunho um pouco polêmico e perceba a chuva de comentários maldosos e de julgamentos, vindos dos 'arautos' da sabedoria e da boa índole. 

Outra forma de perceber bem isso é quando você vai contar algo que está lhe deixando mal, e a outra pessoa não espera que você desabafe, pois acha que a história pessoal dela é ainda mais complicada que a sua, e ai minimiza suas dores e conflitos.

Estamos cercados de pessoas que não conseguem ouvir nossas histórias, que simplesmente preferem falar de si, que não conseguem lidar com o pesar do outro, ou que talvez nem se importem. Ter empatia é algo tão simples e acessível, não exige grandes atitudes, basta você conseguir se colocar no lugar do outro. Você já fez essa experiência? Não durante toda a sua vida, mas hoje, você já fez isso por alguém?

A impressão que tenho é que para muitos dá muito trabalho se colocar no lugar do outro, e assim atuar como uma verdadeira rede de apoio. Ahh... mas eu me identifico com as pessoas, com suas situações. Desculpe informar, mas se identificar com o outro é bem diferente de ser empático. Quando você se identifica, você sente a dor do outro por se imaginar naquela mesma situação. Porém, quando você tem empatia, você se coloca no lugar dela, e sente o que aquela pessoa está passando e sentindo, numa perspectiva dela e não na sua. 

Outra questão importante é a de fazermos esse bem sem esperar nada em troca. Simplesmente fazer com que o dia da outra pessoa tenha um pouco mais de cor já faz de você mais feliz. Ou seja, não faça algo esperando um obrigado. E nem julgue essa pessoa de ingrata se ela não o fizer. Não estamos falando de massagear egos e sim de acalentar corações.


Estamos vivendo momentos difíceis, o mundo não é mais o mesmo, as relações também não são mais as mesmas. E nesses momentos, várias pessoas estão enfraquecidas na fé, alimentando sentimentos de impotência diante da vida e das tristezas. É por isso, que a cada dia mais precisamos desse serviço de utilidade pública: empatia. Para que percebamos que não estamos sozinhos, e que apesar da caminhada muitas vezes ser dura, ela é necessária, e chegaremos firmes ao final.

Não tenha medo de mostrar suas feridas, de confessar seus medos e fraquezas. Isso também é mostrar ao outro que ele não é o único a passar por situações difíceis, e que é justamente por isso que você é capaz de compreendê-lo. Lembrando que ter empatia não é disputar o tamanho dos problemas, e nem provocar a felicidade no outro. É ter humanidade, é mostrar que os fardos não precisam ser carregados sozinhos.

Dessa forma, acho que posso afirmar que ter empatia é ter um coração aberto para preencher de amor a vida do outro. É ter sensibilidade, ser atento, é ser capaz de compreender que a mesma situação pode ser encarada de formas distintas. É acima de tudo se oferecer para dividir o peso de algo que alguém já não suporta mais carregar sozinho.

 





2 comentários:

  1. Amei seu texto!!!
    Vou ler todos. Foi realmente escrito com o coração.

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